O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que causa a perda da memória recente, geralmente em pessoas mais idosas. De acordo com a presidente da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz) de Santa Catarina, Scarlet Murara, o problema difere de outros tipos de demência devido à idade que o paciente apresenta ele. “A doença de Alzheimer tem uma característica muito nítida, é a perda da memória recente, a pessoa começa a perder coisas, ou começa a repetir frases que acabou de falar, começa a guardar objetos em lugares inusitados, ou começa a ter comportamentos mais agressivos”, comenta a terapeuta ocupacional.

A especialista explica que é como se os neurônios estivessem morrendo, perdendo a conexão com as memórias. “Por isso que o próprio idoso tem essas falhas, esse blackout, que ele acaba repetindo, ele acaba não se expressando adequadamente como antes”, esclarece. Além do fator genético, a qualidade de vida que a pessoa tem também pode influenciar no aparecimento da doença. “O nível de estresse é um dos indicadores, a questão da qualidade de vida, atividade física se a pessoa faz, atividade cognitiva, se ela desenvolve outras habilidades”, comenta.

Conforme Scarlet, as pessoas devem realizar algumas atividades para criar uma “poupança” de memórias no cérebro. “Quanto mais a gente fizer essa reserva, melhor vai ser para o nosso cérebro”, afirma. A especialista ainda ressalta que ter melhores hábitos de vida não significa que a pessoa não vai desenvolver o Alzheimer, porém, as atividades ajudam a postergar o aparecimento da doença. O assunto foi destaque em entrevista no programa Ponto de Encontro com a terapeuta Scarlet. Ouça na íntegra:

 

A terapeuta explica que há sinais que podem indicar o Alzheimer. Repetir falas e ações; ter falta de noção espacial, bater o carro enquanto antes dirigia bem, por exemplo; esquecer de onde deixou as coisas; ter falta de organização sendo que antes não tinha; além de outras características. A profissional ainda comenta que não há cura para o Alzheimer, apenas tratamento. Os indícios da demência podem ser confirmados através de exames clínicos que mapeiam o estado mental.

Sobre a poupança de memórias, Scarlet destaca algumas atividades que podem ser positivas. Uma alimentação balanceada, com pouca gordura e com mais frutas e verduras, além de uma boa qualidade de sono contribuem para a maximização das memórias. A prática de atividades físicas também são fundamentais, como também as atividades cognitivas. Aprender uma nova língua ou uma outra nova habilidade ajuda o cérebro a se exercitar. “Quanto mais desafios a gente executar para o cérebro melhor”, destaca. Jogos de raciocínio que estimulam a mente a desenvolver mais conhecimento também são recomendados.

O Alzheimer também pode provocar alterações de humor nas pessoas, provocando situações mais agressivas que antes não eram comuns. “A pessoa com doença de Alzheimer vai perdendo essa linguagem de expressão do tipo, antes ela sabia te dizer que ‘olha meu pé, meu dedão, está doendo, acho que é uma unha encravada’. Ele não vai conseguir expressar muito com essa definição”, exemplifica. “Muitas vezes essa agressividade interfere um pouco nessa atuação da autonomia e independências”, comenta. A especialista afirma que são situações em que a pessoa está se sentindo incomodada com algo, mas não consegue se expressar na fala, gerando casos de alteração de humor.

Scarlet Murara, presidente da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz) de Santa Catarina