O aumento da tensão nas paredes das artérias, que são os vasos que recebem o sangue do coração, é conhecido como hipertensão. A doença crônica é muito comum em todo o mundo. De acordo com o médico cardiologista e presidente da Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), doutor Luiz Bortolotto, três de cada dez adultos acima de 18 anos possuem hipertensão arterial. “A proporção aumenta conforme a gente envelhece, e aí, 60% dos pacientes mais idosos têm a doença”, ressalta o especialista.

A pressão elevada nas artérias causa diversos problemas, não só ao coração, mas podem afetar os rins e cérebro. “A gente faz o diagnóstico quando as medidas de pressão estão acima de um determinado valor, que hoje é considerado 14 por 9”, comenta. Aproximadamente 90% dos casos são relacionados ao fator genético e hábitos de vida, como excesso de sal, consumo excessivo de bebidas alcoólicas, sedentarismo e obesidade. Os outros 10% dos casos são de pacientes que desenvolvem hipertensão devido a outros distúrbios, como doenças das glândulas, apneia do sono e doenças renais, por exemplo.

O doutor Bortolotto esclarece que o diagnóstico de hipertensão não exige exames complexos, e sim medidas de pressão. A recomendação é que as pessoas, a partir dos 18 anos, realizem a medição de pressão ao menos uma vez ao ano em um serviço de saúde. Para fazer o diagnóstico é necessário realizar pelo menos três medidas de pressão em um determinado intervalo, que pode ser semanal. Se a pessoa for hipertensa, as três medidas terão o valor igual ou superior a 14 por 9. Caso haja dúvidas, o profissional de saúde irá encaminhar para um especialista, que é o cardiologista.

O programa Ponto de Encontro abordou mais sobre o assunto em entrevista com o médico Luiz Bortolotto. Ouça na íntegra:

 

Mais de 90% dos casos de hipertensão são assintomáticos, ou seja, não apresentam sintomas. “Por isso que a medida de pressão é importante. Quando tem sintomas pode significar algum comprometimento já do coração, que estão sobrecarregando o cérebro”, explica. “Alguns sintomas que são sinais de alarme são tonturas, dores de cabeça de repetição, sangramento pelo nariz, falta de ar, dor no peito quando faz algum esforço, problemas visuais, começa a ver aqueles pontinhos brilhantes ou escuros. Isso pode ser um sinal de alerta, mas a grande maioria não tem nenhum sintoma”, destaca.

Pessoas que têm parentes com hipertensão possuem mais chances de desenvolver a doença também. Além disso, conforme o cardiologista, pessoas negras também possuem maior chance de ter a hipertensão. Os hábitos de vida pesam muito no aparecimento do problema. O consumo de sal, excesso de bebidas alcoólicas, obesidade e falta de atividade física estão entre eles. O doutor reforça sobre o estresse, que pode causar problemas. “O jeito de administrar o estresse é que pode gerar aumento de sobrecarga do coração, porque o coração acelera, a pressão pode ficar sempre mais alta”, explica Bortolotto.

Manter um estilo de vida mais saudável, com menos consumo de sal, alimentação rica em legumes e verduras, a prática de atividades físicas, e ter um sono melhor, além de outros fatores, contribuem para que a pressão arterial diminua. Além disso, é necessário que os hipertensos façam o acompanhamento médico com um cardiologista, que é fundamental para o controle da doença.