Início de ano é o período em que as pessoas desejam traçar as metas de vida, seja na realização profissional ou nos estudos. O cuidado com a saúde também deve estar entre as metas. Um dos fatores que devem ser observados com atenção é a diabetes. No Brasil, são quase 17 milhões de pessoas que possuem o diagnóstico. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a cada uma pessoa que tem o diabetes, existe uma outra pessoa que também tem o diagnóstico e não sabe.

A médica endocrinologista e diretora da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), doutora Talita Letícia Trevisan, ressalta que o diabetes, em especial o tipo 2, é uma doença extremamente silenciosa nos primeiros dez anos de existência. O diabetes é uma doença relacionada ao excesso de açúcar no sangue, no qual esse excesso é chamado de glicemia. “Todo mundo tem que ter açúcar no sangue para viver, e esse açúcar vem do alimento. Só que existe um momento em que o nosso corpo não consegue organizar bem esse açúcar”, esclarece.

A situação acontece porque existe um problema na produção de insulina. “A insulina é um hormônio que sai lá do pâncreas, que fica lá no fundo da nossa barriga, e essa insulina ela organiza todo o açúcar que a gente recebe”, comenta. O diagnóstico pode ser feito através de exames de sangue. O valor normal da glicemia em jejum deve ser menor que 100, sendo que um diabético apresenta o valor acima de 126.

A especialista explica que o diabetes tipo 1 é o que se desenvolve na infância e adolescência, podendo aparecer também já em adultos. “A pessoa não tem escolha, ela precisa de insulina para garantir a vida dela”, comenta. O diabetes tipo 2, que é quase 90% dos casos de diabetes, é a que tem relação com o estilo e os hábitos de vida da pessoa. “Cada vez mais a gente fala sobre ter uma vida mais ativa, combater a obesidade, comer melhor”, reforça.

O programa Ponto de Encontro abordou mais detalhes sobre a diabetes, diagnóstico e os cuidados com a saúde em entrevista com a endocrinologista Talita. Ouça na íntegra:

 

Pessoas que possuem glicose alta apresentam sintomas, como: frequente vontade de urinar, sede e perda de peso. Segundo a especialista, o principal sinal de alerta é a perda de peso. “O diabetes, em longo prazo, principalmente depois de 10, 20, 30 anos de doença, ele pode virar um problema muito maior, porque o açúcar alto no sangue faz mal para os olhos, para o cérebro, para o coração, rim e nervos”, frisa a doutora Talita.

Durante o verão, um dos cuidados com a diabetes é se manter hidratado. “Lembrar que água de coco, os refrigerantes, os sucos, eles têm muito açúcar, então a bebida é água”, destaca a endocrinologista. Além disso, é importante estar atento ao calor com a conservação de medicamentos, como a insulina. “A insulina não tolera temperaturas acima dos 30°C”, comenta. O ideal é manter o medicamento refrigerado para que o tratamento faça efeito no organismo da pessoa.

No diabetes tipo 2, apesar dos hábitos de vida, o fator genético também pode influenciar. “Se você tem vários casos na família de diabetes, você tem um estilo de vida super saudável, ainda sim pode desenvolver o diabetes. As pessoas costumam ter culpa por ter diabetes. ‘Será que é por que estou acima do peso? Será que é por que eu comi de mais?’. A gente tem que colocar um ponto que é o fator genético, é muito importante”, ressalta a especialista.

No entanto, quem não possui histórico familiar, é importante escolher uma vida mais saudável para evitar a doença. Atividade física já é um bom começo, segundo a doutora, mesmo sendo 30 minutos de caminhada algumas vezes por semana. “Troque o elevador pela escada, comece a trabalhar a pé, se movimentar mais ajuda”, comenta. Além disso, a alimentação é importante, não só na redução do doce em si. Evitar carboidratos, farinhas e frutas de mais são algumas recomendações. “A gente tem que comer legumes, verduras, carnes, peixes, ovos”, ressalta.

No diabetes, também existe o termo pré-diabetes. Conforme a especialista, uma pessoa pré-diabética é aquela que tem a glicemia maior do que 100, que é o valor normal, porém menor que 126, que é o diabetes. “Se ela não tiver histórico na família ela consegue reverter, principalmente com a perda de peso, a perda de peso ajudada com exercício físico e alimentação”, explica Talita.