De alguns anos para cá, o Brasil, assim como o mundo todo, vem apresentando queda nas taxas de cobertura de vacinação. Existem diversos motivos que podem explicar o porquê da situação estar ocorrendo. De acordo com a médica alergista e imunologista, doutora Nayara Maria Furquim Nasser, a pandemia da Covid-19 pode ter influenciado, já que muitas pessoas acabaram desacreditando na eficácia das vacinas.

Além disso, a desinformação e as chamadas fake news colaboraram para o movimento antivacina, que existe em vários países. Outro fator importante é que muitos jovens não conviveram com algumas doenças, como a poliomielite e sarampo, no qual eles acabam tendo a percepção de que não existem mais esses problemas. No entanto, essas doenças podem ser reintroduzidas, por isso a importância de se manter vacinado.

O programa Ponto de Encontro abordou mais sobre a importância da vacinação em entrevista com a doutora Nayara. Ouça na íntegra:

 

Conforme a especialista, além da desinformação sobre as vacinas contra a Covid-19, todas as outras questões da pandemia também influenciaram. Com o isolamento social e as demandas dos profissionais da saúde voltadas para o coronavírus, a vacinação de outras doenças acabou deixando de ser prioridade total. Nayara ainda ressalta que o plano nacional de vacinação mudou ao longo dos anos, fazendo com que o Brasil, que já foi referência, tivesse quedas nas taxas de imunização.

Assim como qualquer outra medicação, a vacina pode apresentar efeitos adversos. No entanto, a imunologista ressalta que os benefícios para a população são muito maiores. No geral, a vacina serve para simular uma infecção no organismo, no qual vai preparar o corpo a se defender quando houver a infecção de fato. A especialista explica que as vacinas são compostas por vírus inativados, enfraquecidos ou mortos, e que não geram efeitos graves às pessoas.

Usando como exemplo o coronavírus, após quase três anos do início da pandemia, foi por causa da vacina que as mortes registradas por dia diminuíram mundialmente. A especialista ainda esclarece sobre as doses da vacina, no qual para algumas doenças, é necessário fazer mais de uma vez. “Isso tudo é pela infecção, pelo tipo, pelo tipo de microorganismos”, comenta. Um exemplo é o vírus da gripe e da Covid-19, no qual mudam muito rápido, sendo necessário a reaplicação do imunizante.

A doutora Nayara ainda lembra que o Poder Público deve realizar campanhas de conscientização sobre as vacinas. “É preciso de uma ação conjunta, não adianta só o Governo Federal divulgar, se não tem uma ação dos municípios, de preparar, de ter essas salas preparadas, com geladeiras prontas, porque as vacinas passam por procedimentos, que tem a questão de conservação”, ressalta. “É algo que precisa de um cuidado”, reforça.