Com a chegada do verão, as pessoas devem ficar atentas ao aparecimento de animais peçonhentos. Isso porque o calor contribui para a reprodução destes animais, no qual eles costumam sair da região de mata, podendo se esconder em casas e outros lugares da área urbana. De acordo com a médica veterinária da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE-SC), Alexandra Schlickmann, os animais peçonhentos são aqueles que possuem o veneno como mecanismo de defesa.

Ao entrar em contato com um desses animais, seja através de uma mordida, picada ou ferroada, a pessoa deverá buscar imediatamente uma unidade de saúde. A principal orientação é que a pessoa faça uma foto do animal antes, para que os profissionais possam identificar qual antídoto usarem para o veneno. De acordo com Alexandra, os acidentes mais comuns em Santa Catarina são envolvendo picada de aranha marrom, que representa cerca de 70% dos casos. Além disso, acontecem também casos envolvendo jararaca, escorpiões, e de aranha armadeira.

A especialista ressalta que ao ter contato com esses animais a recomendação é ir procurar atendimento médico. Muitas pessoas costumam optar por tratamento caseiro, o que pode não dar certo e apresentar pioras no quadro. O programa Ponto de Encontro abordou dicas de como evitar acidentes do tipo em entrevista com a veterinária Alexandra. Ouça na íntegra:

 

O QUE FAZER EM CASO DE ACIDENTES

  • Manter a vítima calma e deitada;
  • Tentar manter a área afetada no mesmo nível do coração ou, se possível, abaixo dele;
  • Evitar que a vítima se movimente para não favorecer a absorção do veneno;
  • Localizar a marca da mordedura e limpar o local com água e sabão;
  • Cobrir com um pano limpo;
  • Remover anéis, pulseiras e outros objetos que possam garrotear (apertar a circulação), em caso de inchaço do membro afetado;
  • Levar a vítima imediatamente ao serviço de saúde mais próximo, para receber o tratamento necessário;
  • Se possível, levar uma foto do animal ou apresentar o máximo de características possíveis para que ele seja identificado e para que a vítima receba o soro específico.

O QUE NÃO FAZER

  • Não fazer torniquete – isso impede a circulação do sangue e pode causar gangrena ou necrose local;
  • Não cortar o local da ferida, para fazer ‘sangria’;
  • Não aplicar folhas, pó de café ou terra sobre a ferida, pois poderá provocar infecção.

COMO EVITAR ACIDENTES

  • Usar botas: isto evita até 80% dos acidentes durante o corte de vegetação, por exemplo, pois as cobras picam do joelho para baixo. Porém, antes de calçar as botas, verifique se não há aranhas, escorpiões ou outros animais peçonhentos na parte interna.
  • Proteger as mãos: não coloque as mãos em frestas, tocas, cupinzeiros, ocos de troncos, etc. Use um pedaço de madeira para verificar se não há animais nesses locais.
  • Acabar com os ratos: a maioria das cobras alimenta-se de roedores. Por isso, mantenha sempre limpos os terrenos, quintais e plantações evita atrair esses predadores.
  • Conservar o meio ambiente: os desmatamentos e queimadas, além de destruírem a natureza, provocam mudanças de hábitos dos animais, que se refugiam em celeiros ou mesmo dentro de casas. Evite matar os animais, pois eles contribuem para o equilíbrio ecológico.