O desenvolvimento da osteoporose está associado de 60% a 70% ao fator genético, e aos hábitos de vida de 30% a 40%. Mesmo que não exista formas de alterar a genética para evitar a doença, os especialistas reforçam a importância de se ter uma vida saudável para diminuir os problemas causados. A osteoporose gera o enfraquecimento dos ossos, no qual eles podem se quebrar com mais facilidade. A endocrinologista e chefe do setor de Doenças Osteometabólicas da Escola Paulista de Medicina (Unifesp), doutora Marise Lazaretti Castro, exemplifica que um simples tombo ou tropeço pode quebrar as vértebras, punho e outros ossos.

As fraturas osteoporóticas acontecem devido ao envelhecimento. As mulheres têm uma maior predisposição de ter a osteoporose por conta da menopausa, no qual há queda dos hormônios femininos, levando a perda óssea. Quanto mais cedo uma mulher ter a menopausa, mais cedo ela poderá ter a osteoporose. A doutora Marise ressalta que, em média, a mulheres apresentam a perda óssea aos 50 anos, apresentando as fraturas em torno dos 60 anos. Já nos homens a perda óssea ocorre de maneira tardia, sendo em média aos 70 anos. Conforme a doutora, embora o homem apresente a doença mais tarde, ele reage pior a fratura do que a mulher.

Marise explica que a osteoporose é uma doença silenciosa, sendo que muitas pessoas descobrem ela apenas quando acontece a fratura. A densitometria óssea é um exame realizado para identificar a densidade dos ossos. Normalmente, as mulheres realizam o exame após a menopausa, e os homens após os 65 anos de idade. O Dia Mundial de Combate à Osteoporose é lembrado na próxima quinta-feira, dia 20. A endocrinologista Marise participou de entrevista no programa Ponto de Encontro e falou mais sobre o assunto. Ouça mais na íntegra:

 

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Embora o fator genético esteja envolvido, hábitos de vida mais saudáveis podem postergar o aparecimento da osteoporose. Para Marise, há um pilar composto por três fatores essenciais: alimentação rica em cálcio, Vitamina D, e atividade física. “Eles são importante para a gente prevenir a osteoporose. Mas há a parte genética, no qual muitas vezes a pessoa, mesmo fazendo todos esses cuidados, ela acaba desenvolvendo a osteoporose. Então a gente diz que não existe cura para a osteoporose, mas existe o controle da doença e o tratamento para evitar as fraturas do futuro”, ressalta.

Além disso, o alcoolismo, sedentarismo e o tabagismo são hábitos negativos e que podem influenciar no desenvolvimento da doença. Para a especialista, não praticar exercícios físicos é péssimo para os ossos. “Porque a hora que a gente não usa o osso, ele está ali, e o nosso organismo entende que não precisa ter um osso forte, que a gente não usa. Então enfraquece também os nossos ossos. Uma atividade física constante é importante ao longo de toda a vida”, frisa a endocrinologista. As fraturas osteoporóticas mais comuns acontecem no punho, especialmente nas mulheres, do ombro e das vertebras.

A especialista reforça que é importante que as casas de pessoas com osteoporose sejam preparadas, com o objetivo de evitar tombos. Não ter tapetes, não ter piso escorregadio, ter banheiros com alças de apoio e tapetes antiderrapantes, luzes e outros fatores devem ser observados para ter uma casa segura. “A osteoporose não pode ser encarada como uma coisa natural, é uma doença que pode ser controlada, deve ser tratada e essas fraturas acabam sendo evitadas. É importante esse alerta”, frisa.