O tempo é um dos principais aliados na cura do câncer de mama. Quanto menor for a distância da descoberta da doença desde sua instalação no organismo, maiores são as chances de um tratamento com resultados positivos.  A jornada começa com as consultas de rotina e os exames preventivos, que foram impactados diretamente pela pandemia de Covid-19. A alteração nesta rotina, com adiamento de serviços prestados na crise sanitária, conforme levantamento da Sociedade Brasileira de Mastologia, atrasou o diagnóstico e por consequência o tratamento do Câncer de Mama, que é conforme o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o mais incidente entre as mulheres.

Autoridades médicas e científicas ainda trabalham na investigação de números mais precisos, mas dados de levantamento do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, em parceria com a Organização Mundial da Saúde, divulgados em 2021 (pesquisa mais recente), no mundo todo, incluindo o Brasil, mais de 52% dos pacientes atrasaram cirurgias ou tratamentos como quimioterapia e radioterapia; 77,5% interromperam os cuidados; e muitas pessoas descobriram com atraso ou ainda nem sabem que tem câncer: a queda de novos diagnósticos foi de 77%.

Segundo a cancerologista clínica, da Onkologica (Oncologia Clínica), Juliana Lorenzoni Althoff, agora é correr contra o tempo.  “Com o avanço da vacinação, as pessoas voltaram a fazer as avaliações médicas de rotina e os exames regulares preventivos. Aliado a isso, temos os avanços na oncologia, que são fantásticos e quase que diariamente temos informação de novos tratamentos aumentando a sobrevida e qualidade de vida, estudos clínicos, que avaliam se o tratamento atual é melhor do que o tratamento padrão, exames moleculares e a já consagrada medicina personalizada. Temos que manter o otimismo e arregaçar as mangas”, ressalta.

A doutora Juliana participou de entrevista no programa Ponto de Encontro e destacou mais sobre o assunto. Ouça na íntegra:

 

O câncer de mama no Brasil

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de mama é o mais incidente entre as mulheres, excluindo apenas os tumores de pele não melanoma. Além disso, se observa taxas maiores nas regiões Sul e Sudeste do país.

O instituto aponta ainda que a prevalência da doença em mulheres jovens é rara. Dessa forma, a incidência tende a aumentar com a idade e, a partir dos 50 anos, é a fase em que ocorrem o maior número de casos. Lembrando que os homens também podem ser acometidos pelo câncer de mama, ainda que bem raramente, somando apenas 1% de todos os casos.

Colaboração: Fernanda Zampoli / Assessoria de Imprensa Gomedplus