Há 46 anos, o Banco de Olhos de Joinville trabalha em prol da captação de córneas para transplantes. É uma instituição sem fins lucrativos que atende pessoas de todo o estado e de várias regiões do país. O Banco de Olhos também realiza atendimentos na parte de oftalmologia, em todo o estado, há sete anos. Conforme o diretor da instituição, doutor Júlio César Vieira, além de fornecer as córneas para transplantes, o Banco de Olhos também atua em cirurgias de cataratas e outros procedimentos.

O Banco de Olhos promove várias ações para incentivar a doação de órgãos, essencialmente a doação de córneas. No mês passado, a instituição lançou a campanha “O seu olhar faz toda a diferença”, em lembrança ao Setembro Verde, mês de conscientização da doação de órgãos. Conforme Júlio, devido à pandemia da Covid-19, as doações diminuíram consideravelmente, já que a instituição precisou ficar um período sem realizar captações.

Vieira ressalta que a conversa com a família é o primeiro passo para a pessoa que quer ser uma doadora. O interessado precisa avisar os seus familiares sobre a sua decisão. “É o mais importante, é isso que a gente tem que frisar bem e é o trabalho que fazemos, de conscientização. As famílias não têm o hábito de conversar sobre isso, mas é importante, porque nós perdemos muitas doações porque a família fica indecisa”, comenta o doutor.

O diretor Júlio César participou de entrevista no programa Ponto de Encontro e esclareceu mais detalhes sobre o trabalho do Banco de Olhos. Entenda mais na íntegra:

 

Conforme o diretor, o instituto entra em contato com a família da pessoa que morreu para saber se desejam doar os órgãos. “Eu tenho que deixar claro: sou doador. Tudo na hora da entrevista vai ajudar muito e fica bem mais fácil, e o sim daquela pessoa que ficou vai ter o sim daquele olhar que o seu ente querido quis deixar na terra ainda, fazer o bem ao próximo, continuar fazendo o bem ao próximo”, frisa. Uma doação pode ajudar até quatro pessoas, sendo duas com a esclera e duas com as córneas.

A equipe de saúde tem até seis horas para retirar e captar as córneas após constatado a morte da pessoa. Além de Santa Catarina, o Banco de Olhos atende outras várias regiões. Vieira também ressalta a disponibilidade de equipes para realizar o transplante. Após a retirada, a córnea fica conservada em um líquido por até 14 dias. “Então em 14 dias a córnea tem que chegar em algum lugar, se não tiver dentro desses dias uma disponibilidade de equipe, um receptor, que até ele naquela semana está com alguma impossibilidade de fazer o transplante, ele acaba indo para fora do estado”, esclarece.

Não é necessário que o doador tenha idade parecida com a do receptor, e vice e versa. Em Santa Catarina, pessoas de 2 a 70 anos podem doar e receber doações. “O que garante a qualidade dela é o número de células que ela tem”, frisa. Mais informações sobre o trabalho do Banco de Olhos de Joinville podem ser conferidos acessando aqui.