O vereador de Urussanga, Erotides Borges Filho (PDT), o Tidinho, afirmou à Rádio Marconi que o irmão gêmeo do prefeito, Sílvio Cancellier, prometeu cargos na administração caso ele votasse contra a abertura da Comissão de Investigação e Processante (CIP), votada em fevereiro deste ano. Tidinho é o primeiro suplente do partido e na época, em fevereiro, estava no Legislativo porque o vereador Rozemar Sebastião, o Taliano, estava afastado das atividades por causa da Operação Hera (leia mais aqui). Atualmente, Tidinho está na Câmara de Vereadores já que Taliano teve o seu mandato cassado (entenda aqui). Tidinho foi um dos seis vereadores que votaram a favor da abertura da comissão.

Em entrevista ao Comando Marconi, Tidinho afirmou que houve pressão para que ele votasse contra a abertura da CIP de Cancellier. Erotides disse que estava em Cocal do Sul e que acabou se encontrando com Sílvio porque estavam no mesmo local.  “Ele disse que o irmão (o prefeito) voltaria, que não era para me preocupar porque eu ficaria de vereador, porque seria dado um cargo de secretário de Agricultura para o vereador titular (o Taliano), que se eu quisesse eles conseguiriam uma vaga de coordenadora para a minha esposa, que eu teria total apoio para uma próxima campanha, mas para isso eu teria que votar contra a abertura da comissão”, relatou Tidinho.

Tidinho ainda disse que não via problema na abertura da comissão, já que o prefeito poderia não ter o mandato cassado conforme as investigações e análises dos vereadores. O assunto foi destaque em entrevista no Comando Marconi. Ouça na íntegra:

 

O prefeito Cancellier retornou ao cargo na última quarta-feira, dia 15, após mais de um ano afastado (confira aqui). Por conta do retorno, o vice Jair Nandi (PSD), que respondeu pelo município desde maio do ano passado, exonerou 12 secretários e diretores na última semana. Agora, a expectativa é para saber quais serão os novos nomes que Cancellier irá escolher para as pastas. “Quando eu falei dos oportunistas, esses estão na espreita, eu não duvido nada que alguns, que em determinado momento se abstiveram, que votaram contra, outros aí que andaram coagindo os vereadores a votar né, presidente de partido a votar de uma determinada forma, acabem surgindo daqui a pouco como secretários, como diretores, desse governo que está aí, que é corrupto e sem credibilidade”, comentou Tidinho.

Sobre pressão nos votos das CIPs, o vereador Fabiano Murialdo De Bona (PSDB) concedeu entrevista alegando a mesma situação. Clique aqui e confira.

A reportagem da Rádio Marconi entrou em contato com o primeiro vice-presidente do PP, Filippe Echamendi Possamai, sobre um direito de resposta para o assunto. Filippe disse que irá avaliar o teor da entrevista, tanto de Fabiano como o de Tidinho, com os envolvidos citados para ter um direito de resposta.

O prefeito e seu irmão gêmeo, além de ex-funcionários da prefeitura, engenheiros e empresários, são réus de quatro crimes envolvendo desvio de dinheiro público que resultou na Operação Benedetta. Saiba mais acessando a matéria abaixo:

Quebra de sigilo: Saiba dos crimes dos 12 réus da Operação Benedetta