Desde o final de dezembro o mundo apresenta um aumento progressivo de pessoas positivadas para a Covid-19. O médico infectologista e diretor técnico do Hospital São José de Criciúma, doutor Raphael Elias Farias, explica que, diferente das outras ondas, a atual possui um nível de transmissão muito mais alto por conta da variante Ômicron. No entanto, a maioria dos casos são mais leves, mas isso não quer dizer que não há casos graves de internações. As festas de fim de ano com a família propiciaram que muitas pessoas se relaxassem em relação aos cuidados contra a doença. Além disso, a situação também favoreceu os casos da gripe influenza entre muitas pessoas.

A influenza e a Covid-19 possuem sintomas muito parecidos, já que são sintomas gripais. No entanto, o que as diferencia é de fato o teste para o novo coronavírus. Só que isso pode fazer com que muitas pessoas, que não fizeram o teste ainda, achem que estão com gripe quando na verdade estão com a Covid-19, e que acabam circulando com o vírus e transmitindo a outras pessoas. Diferente da primeira cepa, onde a pessoa perdia o paladar e o olfato, a Ômicron não apresenta esse sintoma, sendo o mais comum da pessoa sentir a tosse, coriza, dor de cabeça e de garganta e outros que são muito confundidos com uma gripe.

Por isso, é muito importante que a pessoa faça o isolamento social a partir do primeiro sintoma. Além disso, se a pessoa não possui sintomas ainda, mas sabe que teve contato com alguém que positivou recentemente, ela deve já realizar o isolamento. Contudo, o doutor Raphael esclarece que o ideal é a pessoa realizar o teste a partir do terceiro dia de sintomas, ou seja, não adianta fazer o teste sem ter sintomas ou após ter contato com  a pessoa infectada. O que acontece é que o vírus está recente no organismo da pessoa, não possuindo o vírus na mucosa oral e nasal, por isso, ao fazer o teste sem sintomas, ou antes do terceiro dia, o resultado pode ser negativo. Com isso, a pessoa apresenta sintomas dias depois e, por ter feito o teste e dar negativo, acha que não é a Covid-19, e não mantem o isolamento, transmitindo a doença para várias pessoas.

Raphael ainda reforça a necessidade do isolamento assim que se sabe que a pessoa em que teve contato foi positivada para a doença. O especialista explica que um dos motivos que também contribuí para o aumento dos casos foi o fato de que muitas pessoas começam o isolamento somente quando sabem o resultado do teste. O certo é a pessoa se isolar a partir do momento em que apresenta os sintomas ou que sabe que possuiu o contato com alguém que tenha a doença. Além disso, uma pessoa infectada pela Covid-19 pode transmitir o vírus 24 horas antes do primeiro sintoma. O doutor Raphael participou de entrevista no programa Ponto de Encontro e explicou mais detalhes sobre o assunto. Acompanhe:

 

Mesmo que a pessoa tenha tomado as duas ou três doses da vacina, é importante que os cuidados ainda sejam mantidos. A vacina não é para que a pessoa não pegue a doença, e sim que não seja desenvolvido um quadro mais grave, como eram vistos diariamente no início da pandemia até o ano passado. Além disso, existem organismos que não produzem a imunidade necessária para combater a doença, assim como qualquer outra vacina existente, sendo registrados casos de óbitos. Só que isso não minimiza a eficácia da vacina, já que o número de mortes diminui consideravelmente de um ano atrás para este.

Outro fator mencionado pelo especialista é que o Brasil é um país muito adepto as vacinações. Apesar de que o início da imunização tenha começado mais tarde do que outros países, os brasileiros foram se vacinar, registrando um número de mais de 70% da população vacinada com ao menos uma dose. Diferente de outros países como na Europa, por exemplo, o Brasil possui alto percentual de vacinação. Em países europeus onde o movimento anti vacina é maior, há muito mais casos graves e de internações por conta de pessoas que não receberam nenhuma dose do imunizante.