Na última semana, os técnicos da extensão rural da Epagri acompanharam o andamento do projeto na área do Campo Agroacelerador da Cooperja, em Jacinto Machado. Os experimentos, realizados em parceria entre Secretaria de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural, Epagri e cooperativas, buscam avaliar o cultivo de trigo, triticale e centeio na entressafra. A intenção é aumentar a renda dos produtores, que terão duas colheitas por ano, e reduzir a dependência de milho para alimentação animal.

A área conta com 22 cultivares de trigo, cinco de triticale e três de centeio que serão avaliados quanto ao desenvolvimento, produtividade e adaptabilidade na região. No local há ainda quatro variedades de trigo selecionadas mais tolerantes à umidade, que foram implantadas em áreas de várzea, onde antes tinha sido implantado soja na várzea.

O gerente do Campo Demonstrativo da Cooperja, Jian Izidro, explicou que até o momento o experimento está evoluindo e as expectativas estão na colheita. “Outra possibilidade que estamos avaliando é a produção de trigo para produção de silagem e de aveia branca para colheita de grãos, também em áreas antes ocupadas por arroz e terras altas. O cultivo durante o inverno serve como plantas de cobertura, contribuem para um sistema mais sustentável em reciclagem de nutrientes, umidade do solo, estrutura física, controle de plantas daninhas e sistematização para o plantio direto”.

Pesquisa focada em aumentar a produção de cereais de inverno

As pesquisas para avaliar o desempenho de cultivares de trigo, triticale e centeio fazem parte do Projeto de Incentivo ao Plantio de Cereais de Inverno Destinados à Produção de Grãos e ocorrem em cinco regiões catarinenses. O objetivo é avaliar quais são os melhores cultivares e como eles se adaptam em diferentes condições de solo e clima. Além de Jacinto Machado, as áreas foram implantadas nos municípios de Chapecó, Canoinhas, Rio do Sul, Turvo e Campos Novos, onde serão avaliados cerca de 30 cultivares em diferentes solos e climas. “Os experimentos servirão ainda para que os técnicos acompanhem o desenvolvimento das culturas e adquiram o conhecimento necessário para que possam passar uma informação de qualidade para os produtores rurais da região”, destaca o gerente regional da Epagri de Criciúma, Edson Borba Teixeira.

Importância de investir na produção de cereais de inverno

O coordenador do Projeto de Pesquisa, doutor Sydney Antônio Frenher Kavalko, explicou que o projeto está alinhado com o grande esforço de Santa Catarina para aumentar o cultivo de cereais de inverno para suprir a demanda de grãos para ração. O agro catarinense consome mais de sete milhões de toneladas de milho por ano e grande parte desse volume é importado de outros estados ou países. Na safra 2020/2021, as lavouras do estado sofreram com a estiagem prolongada, além dos ataques da cigarrinha-do-milho, e a produção acabou com uma queda de 27%. As estimativas do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa) apontam para uma colheita de 1,8 milhão de toneladas, sendo necessário importar cerca de 5,5 milhões de toneladas do grão este ano.

Colaboração: Aline Somariva / Assessoria de Comunicação