Hoje, dia 10 de setembro, completam 37 anos da tragédia da Mina Santana, a maior tragédia da mineração brasileira. Em 1984, 31 trabalhadores morreram soterrados em uma mina localizada em Urussanga. Na época, o fato ganhou repercussão nacional e mudou a vida dos cidadãos, principalmente os urussanguenses. Era uma segunda-feira, término de um feriado prolongado por conta do Dia da Independência do Brasil. Uma das teorias existentes que ocasionou a explosão é do acumulo de gás metano no interior do local.

A jornalista Karoline Mariot realizou seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) sobre o tema. A urussanguense analisou reportagens da época de duas revistas: a ‘Veja’ e a ‘Isto É’ e, com as matérias A última descida e Uma tragédia anunciada, respectivamente. Karoline deu mais detalhes sobre sua pesquisa em entrevista ao Comando Marconi. Ouça na íntegra:

Parte 01

 

Parte 02

 

Jornalista Karoline Mariot

Conforme Karoline, a revista Veja relatou na época sobre o momento em que os oito médicos do Hospital Nossa Senhora da Conceição chamavam os familiares para reconhecer os corpos das vítimas. A enfermeira Zilda Dalbó Darella era a responsável por receber os corpos que vinham do local da tragédia para fazer o reconhecimento para, então, realizarem o sepultamento. “Ela também afirma diante destas reportagens que os corpos estavam extremamente mutilados, alguns dos mineiros apresentavam as pontas dos dedos mutiladas, de tanto que eles se arrastavam no chão para poder achar um resgate, para tentar sair da explosão”, conta Karoline sobre a matéria feita pela Veja.

“Não existe na verdade um fato comprovado desta explosão, muito se fala no acumulo do gás metano, que é um gás altamente tóxico, que ficou acumulado no interior da mina, onde houve essa explosão devido ao feriadão do dia 7 na época, que foi numa sexta-feira. No final de semana os mineiros não haviam baixado a mina, como se fala, e no dia 10 de setembro, numa segunda, eles retornaram ao trabalho, e foi quando houve essa grande tragédia”, comenta. De acordo com a jornalista, a revista Isto É entrevistou o geólogo da Carbonífera Urussanga, no qual ele disse, em sua versão, que a explosão talvez poderia ter ocorrido por causa de dois trabalhadores que acenderam um cigarro debaixo da mina.

Um outro trecho diz que foi uma longa sequência de encomendação de corpos. As missas eram interrompidas para a inclusão de mais corpos para a cerimônia. “Com os cadáveres já em decomposição, depois de mais de 48 horas nos túneis úmidos e abafados, as pessoas eram obrigadas a usarem máscaras contra os gases para entrar no salão onde era feito o reconhecimento. Com o passar do tempo, entretanto, já nem as máscaras surtiam resultado e a limpeza dos cadáveres passou a ser feita no pátio. Não havia necropsia na época. Confirmada a identificação, os enfermeiros grudavam uma etiqueta com o nome da vítima na tampa do caixão”, lê Karoline sobre a matéria de uma das revistas.

Manuela da Silva Melo tinha 18 dias de vida quando aconteceu o acidente que vitimou o seu pai. “Conviver com isso ainda é muito triste, apesar de eu não lembrar”, afirma. Manuela é filha de Ederli Melo. Em 2020, a prefeitura de Urussanga inaugurou o Memorial ao Mineiro. Confira a entrevista de Manuela para o Comando Marconi:

 

Abaixo os nomes das 31 vítimas da tragédia da Mina de Santana: Antonio Acedir da Silva; Aloísio Schmidt; Arestides José Goulart; Cesário Borba Camilo; Dionísio Modelon da Silva; Ederli Melo; Euclides Ronsani; Francisco Jeremias; Hedi Cesário Scarabelot; Luiz Carlos Galdino; Paulo Rogério Alves; Pedro Paulo Leopoldo; Reginaldo Araújo; Ronaldo F. dos Santos; Vanderlei Mendes; Valdir Machado; Wilson Cláudio Miranda; Antônio Elizário Mendes; Gilmar Belmiro Ribeiro; Itamar Belmiro Ribeiro; Jair Mendes; Jaime Alfredo Coelho; Jorge José Pereira; Luiz Carlos Leopoldino; Luiz da Cruz; Luís César Cardoso; Pedro Engel José; Santos Tezza; Valdemiro Fioravante Bonot; Vilmar Fernandes Madeira; Volnei Dalazen.

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