Em alusão ao aniversário de 30 anos de emancipação de Cocal do Sul, o Governo Municipal inaugurou no último domingo (5) a Capela dos Padres, no Cemitério Municipal e lançou a ordem de serviço para a conclusão da Capela Mortuária. O evento contou com a presença do bispo Dom Jacinto Inácio Flach e do padre da Paróquia de Maracajá e historiador da cidade, Orlando Cechinel.

Atualmente, os corpos de dois grandes nomes religiosos, os padres Francisco Chylinski e Cônego João Dominoni estão na capela e foram homenageados. O objetivo é ter um local para guardar as memórias e homenagear os líderes católicos.

Conheça a história dos padres homenageados

Pe. Francisco Boleslau Chylinski

Nasceu em 14 de setembro de 1864 na Polônia, ordenado sacerdote em Cracóvia no dia 1º de julho de 1888 e chegou ao Brasil em 1895 para trabalhar na paróquia de Tubarão que estava recebendo grandes levas de imigrantes europeus. Era poliglota e falava o polonês, italiano, alemão, português, latim, o que lhe foi muito útil no trabalho pastoral com os imigrantes. Antes de chegar em Cocal, exerceu o ministério também em Imaruí e Araranguá.

Pe. Chylinski recebeu a nomeação de responsável pelo Curato de Cocal quando foi constituído em 1º de junho de 1910 mas somente aos 15 de junho de 1911 fixou residência em Cocal, já que era pároco em Araranguá. Assim, deu início ao seu apostolado nestas terras que abrigavam imigrantes italianos e poloneses que tinham duas capelas: a dos italianos dedicada a Nossa Senhora das Graças e a dos poloneses dedicada a Santa Edwiges. Ele conseguiu com relativa facilidade harmonizá-los na prática da sua fé em consonância com as tradições religiosas de cada etnia.

Com o Pe. Chylinski, Cocal tornou-se um centro de convergência dos imigrantes poloneses e grandes festas em honra aos santos Casemiro, Edwiges e Nossa Senhora de Tchestocóva foram realizadas com grande afluência de povo.

Sob a coordenação do Pe Francisco Chylinski, em 1916 iniciou-se a construção da atual igreja matriz que foi inaugurada em 1927, fruto do trabalho voluntário dos fiéis que não mediram esforços para erigir este grande monumento de fé e religiosidade católica.

Padre Francisco faleceu repentinamente, vítima de infarto, aos 14 de março de 1931, aos 66 anos, em Cocal onde havia vivido os últimos 20 anos de sua vida sacerdotal; no dia 15 de março, domingo, receberia o título de Monsenhor. Foi sepultado em Cocal e pranteado pelo povo que ele conseguira tão bem pastorear, não obstante as diferenças culturais.

Cônego João Dominoni (1932-1974)

Nasceu em Florianópolis em 5de fevereiro de 1903, filho de Clemente Dominoni de origem italiana e de Angélica Fanzier de origem francesa. A família era composta por 11 filhos e, ainda pequeno, João ficou órfão de pai. A mãe assume a condução da casa e vai endereçando os filhos para o trabalho, o amor a Deus e a família.

João sentiu-se chamado a seguir a vocação sacerdotal e iniciou os estudos no Seminário Menor. Frequentou o Seminário Maior em São Leopoldo, tendo que interromper os estudos por motivo da doença. Retomou os estudos teológicos depois de um ano no interior de São Paulo.

No dia 1º de janeiro de 1931 é ordenado sacerdote e enviado por Dom Joaquim Domingos de Oliveira para exercer atividades pastorais na Catedral de Florianópolis. Em 1932 recebe a missão de assumir o Curato de Cocal onde permanece até o fim da vida.

Em 1967, realiza uma ampliação e reforma da igreja matriz.

Sempre carregou a cruz da doença física que levou com paciência e resignação. Faleceu aos 27 de janeiro de 1974, na casa paroquial de Cocal e foi sepultado no dia seguinte no cemitério local acompanhado pelo bispo diocesano Dom Anselmo Pietrulla, mais de 50 sacerdotes e um grande cortejo fúnebre.

Colaboração: Amanda Farias / Assessoria de Comunicação