A ingestão média de cálcio do brasileiro é de 505 miligramas ao dia. No entanto, para se ter uma ideia, o ideal é 1.000 a 1.200 miligramas ao dia, em adultos com mais de 70 anos, por exemplo. Isso é o que mostra o Calcium Map, estudo que fez um levantamento mundial acerca da ingestão de cálcio. “O cálcio advindo de leites, queijos e iogurtes, principais fontes desse mineral vital para a saúde óssea, é necessário não apenas para os ossos, mas para vários processos metabólicos importantes como contração muscular e cardíaca, transmissão de sinais nervosos, secreção de substâncias, coagulação, entre outros. Se há restrição na ingestão de cálcio, o corpo começa a retirar do osso, que é o principal reservatório e isto provoca perda óssea”, explica o doutor Sergio Setsuo Maeda, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP).

O especialista alerta para que as pessoas tenham cuidado com as informações sem fundamentação científica sólida que não recomendam ingestão de leite sob alegação de que este alimento seja fonte de alergias ou má digestão. Sergio acrescenta ainda que uma revisão sistemática recente apontou que o maior consumo de lacticínios diminui o risco de fraturas vertebrais e tem efeitos positivos na massa óssea. Os lacticínios são os alimentos com a maior quantidade de cálcio biodisponível ou absorvível, porém ele pode ser encontrado também em peixes e em menor quantidade nos vegetais.

O programa Ponto de Encontro abordou sobre o tema em entrevista com o endocrinologista Sergio Setsuo Maeda. Confira a participação na íntegra:

 

“Vale ressaltar o fato de que os vegetais têm fitatos e oxalatos que reduzem a absorção do cálcio contido neles”, explica Maeda, que também é palestrante do 14° Congresso Paulista de Endocrinologia e Metabologia – COPEM 2021, que acontece de 5 a 7 de agosto de 2021, e que tem entre os temas de discussão “Afinal, deve-se recomendar ingestão de leite e derivados como fonte de cálcio, ou não?”.

O endocrinologista reforça que o consumo exagerado de proteína animal pode prejudicar a absorção de cálcio, assim como o ferro suplementar, e faz alerta a veganos e alérgicos à proteína do leite de vaca. “A dieta vegetariana e a vegana são pobres em cálcio. Para quem tem intolerância à lactose ou alergia à proteína do leite de vaca (APLV) também fica difícil ter a quantidade mínima necessária. Nestas situações é necessária a suplementação com sais de cálcio”.

A ingestão de fontes dietéticas de cálcio é importante durante toda a vida, mas principalmente em momentos críticos como a infância (quando o esqueleto está em desenvolvimento), a lactação (se a mãe faz restrição, há perda óssea importante e até com risco de fraturas) e naqueles com osteoporose (é base para o tratamento e a melhor eficácia dos medicamentos anti-osteoporose).

Dr. Sergio Setsuo Maeda

Sobre a SBEM-SP

A SBEM-SP (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia do Estado de São Paulo) pratica a defesa da Endocrinologia, em conjunto com outras entidades médicas, e oferece aos seus associados oportunidades de aprimoramento técnico e científico. Consciente de sua responsabilidade social, a SBEM-SP presta consultoria junto à Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, no desenvolvimento de estratégias de atendimento e na padronização de procedimentos eEndocrinologia, e divulga ao público orientações básicas sobre as principais doenças tratadas pelos endocrinologistas.

Colaboração: Débora Torrente / Gengibre Comunicação