A migração total do rádio AM para o FM tem se tornado cada vez mais próxima. Desde julho de 2018, a Rádio Marconi vem operando em frequência modulada 99.9 FM (saiba mais aqui). Existem diversos fatores que contribuem para essa migração e esse avanço na tecnologia. A jornalista e coordenadora do curso de jornalismo na UniSatc, Karina Woehl de Farias (a Kaki), explica que apesar do rádio AM ser muito forte e consolidado, alguns problemas vinham sendo encontrados, como a dificuldade de sintonizar em alguns ambientes, de ouvi-lo em smartphones e em veículos.

“Esses problemas todos estavam colocando o rádio AM em um cenário de uma possível crise, já havia até algumas emissoras em crise. Aí vem a possibilidade de uma mudança, enquanto nós ainda não temos um modelo de rádio digital, e pela falta de um digital como vemos nas TVs, a migração foi uma mudança necessária que as emissoras precisaram passar”, explica Karina. Além disso, a jornalista dá o exemplo do caso da Marconi, no qual não mudou apenas de dial, mas passou por diversas alterações importantes da grade da programação jornalística, melhorias em equipamentos e infraestrutura da emissora. “Houve realmente um avanço concomitante com o tecnológico, não foi simplesmente mudar do AM para o FM como algumas rádios acabam fazendo”, completa a coordenadora.

Para o futuro AM, Karina afirma que uma das teorias que se tem é que esse canal seja transformado e utilizado em outros meios da tecnologia, como o 5G. O jornalista Nei Manique também frisa que a transição do AM para o FM continua desafiando a percepção dos ouvintes, porém, um diferencial que é notado são as rádios que ainda continuam preservando a fala local com seu público-alvo, isto é, a regionalidade e a familiaridade com temas locais. “Quando nós ouvimos aqui na nossa região o nosso jeito de falar, isso passa batido, não chama a atenção. Mas quando o ouvinte de Urussanga ouve a Marconi lá da Alemanha, acontece o que eu chamo de uma religação auditiva do habitante com a sua cidade”, afirma Nei.

Saiba mais sobre a importância da migração das rádios AM para o FM na entrevista completa com Karina Farias para o Ponto de Encontro:

 

O programa também conversou com o jornalista Nei Manique. Ouça a entrevista na íntegra:

 

Essa característica citada por Nei também é reforçada por Karina Farias. A doutora em jornalismo comenta sobre a importância do aproveitamento do radiojornalismo local, isso porque é necessário valorizar as informações e repercussões da região. “A minha força maior, a minha atenção maior tem que ser naquilo que é do próximo. A proximidade nos valores notícia é muito importante. Por que as pessoas gostam de, mesmo morando fora do país, ligar as emissoras de rádio para saber o quê? Para saber da sua comunidade, para saber do distrito, para saber do jogo de futebol. O rádio é local, o jornalismo local, não só falando em rádio, é o que tem que se fortalecer nessa história toda”, esclarece Karina.