Se deixar de treinar impacta quem tem uma rotina de atividade física regular prejudicada pela pandemia, imagine para um esportista. Nesse caso, a tecnologia, que tem salvado o trabalho, os laços afetivos e também a manutenção de uma rotina para a maioria das pessoas, ganha contornos ainda mais importantes – e realistas. O piloto da Porsche Cup André Gaidzinski é um exemplo: ele estreou na quarentena e incorporou nos treinos diários o simulador de corridas que pretendia adotar em circunstâncias eventuais que o impediriam de treinar nas pistas, como clima e distância.

“Antes os simuladores eram recursos de videogames, mas hoje abrangem amplamente o conceito da palavra. Uso um cockpit completo com todo o sistema de volante e pedaleira, com imagens de apoio de alta qualidade e que reproduzem de forma muito realista uma pista”, explica André, para quem pilotar um carro agora é coisa pra se fazer na sala de casa.

O objetivo do simulador é aproximar ao máximo o treino da realidade e permitir que o piloto continue aperfeiçoando a sua técnica. “As únicas diferenças são treinar em uma sala com temperatura normal, pois na corrida real ela se aproxima de 65 graus celsius dentro do carro, e não precisar usar capacete. A similaridade de estar pilotando um carro da Porsche Cup é impressionante e a sensação de ‘segurar’ o automóvel na pista é muito parecida no simulador”, descreve André.

O assunto foi destaque no ‘Ponto de Encontro’ desta segunda-feira (6). Ouça:

 

O simulador usado pelo catarinense é profissional e teve a maior parte de seus componentes fabricada nos Estados Unidos. Ele permite praticamente todos os ajustes como são feitos no carro de corrida, como regulagens mecânicas de câmber, caster, troca de amortecedor, de molas, barras estabilizadoras, regulagem de freio e de pressão dos pneus. “É muito próximo do real, pois o simulador também consegue reproduzir o desgaste dos pneus, mostra se tem alguma coisa quebrada ou solta no carro, como no caso de uma batida durante o treino simulado, por exemplo”, conta André.

Um dos destaques nesse treino tecnológico é o volante do simulador, que foi aprovado por ninguém menos que Lewis Hamilton, piloto britânico hexacampeão de Fórmula 1. O volante fica pesado nas curvas e reproduz também no piloto as sensações provocadas por ondulações e buracos da pista. Os pedais também são “duros”, para que sejam pressionados com os pés e confiram a sensação de realidade. “O simulador também reproduz os tempos muito parecidos com que se tem na realidade e é possível treinar no verdadeiro conceito da palavra, permitindo um aprimoramento que se refletirá depois na pista real”, comemora André.