O empresário Rogério Cizeski, afastado das empresas do grupo Criciúma Construções desde 2015, poderá retornar por decisão da Justiça. O juiz substituto da 1ª Vara da Fazenda, Marciano Donato, aceitou o retorno de Cizeski ao quadro funcional da empresa, porém em formato de gestão participada. Isso significa que ele pode retornar à rotina de trabalho, mas de maneira consultiva, e que não terá poder de decisão dentro do processo de recuperação judicial em andamento.

O advogado de Cizeski, Jefferson Monteiro, disse que o empresário colaborou com a justiça durante todo o período que esteve afastado, e ressalta que 95% dos débitos trabalhistas já foram quitados dentro da recuperação judicial da empresa. Segundo a defesa de Cizeski, a empresa tem mais de R$ 90 milhões em créditos para receber e patrimônio, que seria o suficiente para pagar os clientes lesados.

Ainda não há data definida para o retorno do empresário, e a defesa aguarda a resposta do juízo criminal para que isso ocorra. Monteiro explica que, até o momento, a manifestação foi no sentido de não obstruir a decisão tomada dentro do processo de recuperação judicial. Ele reforça que a volta de Cizeski será puramente para auxiliar o gestor, e que esse processo será feito da melhor maneira possível.

Na decisão, o juiz argumenta que o gestor judicial Zanoni dos Santos Elias concordou com a proposta, permitindo que o “sócio administrador pudesse acompanhar a atividade do grupo, auxiliando e contribuindo com o gestor na condução das atividades de forma consultiva e colaborativa, sem vincular as decisões a serem tomadas pelo gestor”, descreveu o magistrado. O administrador judicial, Agenor Daufenbach Júnior, concordou com o retorno de Cizeski, mas lembrou “que o interesse da recuperação judicial ultrapassa a pessoa física do empresário chegando no plano social”.

O Ministério Público se posicionou contrário ao retorno, dizendo não haver razão para a gestão compartilhada. O MP sustenta que o requerimento não possui amparo na Lei n. 11.101/2005, e que o retorno “seria um insulto aos credores que ainda não receberam seus créditos, pois haveria um custo desnecessário com outro administrador a ser suportado pelas recuperandas”.

Com informações do Diário Catarinens