Se veranear na praia para muitos é sinônimo de sossego, para outros têm sido sinônimo de incomodação. Os moradores e veranistas do Balneário Esplanada, em Jaguaruna, têm reclamado constantemente dos problemas nas vias onde não há lajotas. Segundo eles, a água empoçada e a lama tornaram as ruas quase impossíveis de trafegar de carro e, muito menos, a pé.

A situação ocorre, de acordo com Jaime de Aguiar, porque o descaso da prefeitura é muito grande. Ele, que mora em Urussanga e veraneia no Balneário, garante que o governo municipal tem ajudado bem pouco. “É menos do que pouco! Além da prefeitura não ajudar com nada, o pessoal ainda tem que pagar operários para lajotar? Isso eu acho vergonhoso!”, questionou Aguiar.

A indignação de Jaime acontece porque na esquina da sua casa uma obra foi abandonada porque, segundo ele, os operários não receberam pelo trabalho. O prefeito de Jaguaruna Edenilson Montini da Costa alega que o calçamento não tem sido trabalho da gestão municipal. “São empresas particulares que estão trabalhando. A prefeitura realiza a terraplanagem e os moradores entram com as lajotas e o serviço de mão de obra”, explicou Costa.

Contudo, esta situação deve mudar. Edenilson assegura que a prefeitura está buscando regularizar este caso. “Os proprietários das casas ajudam a lajotar as ruas porque isto agrega valor ao seu imóvel. A melhoria trazida pelo calçamento chega a acrescer até 15 mil reais no valor total da casa. É ganho para eles”, justificou o prefeito.

Mesmo com esta explicação, os moradores não estão felizes. De acordo com eles, o IPTU, que aumentou em 2018, deveria pagar estas obras de infraestrutura. Ide Rosso Livramento caracteriza a situação como deprimente e revoltante. “A gente paga os impostos, que são bem caros, mas eles não fazem melhorias. Inclusive eles aumentaram os impostos alegando estas melhoras”, partilhou.

O esposo de Ide, José Livramento, conta que o casal, que mora em Cocal do Sul, volta todo ano para veranear e encontra a cidade no mesmo estado. “Eu veraneio 15 anos nesta rua e neste tempo todo se eu vi a prefeitura passar duas vezes foi muito”, lembrou Livramento

Ruas lajotadas não recebem manutenção

Mesmo as ruas que já estão lajotadas têm sido alvo da reclamação dos moradores e veranistas. Desta vez porque, de acordo com eles, não há manutenção por parte da prefeitura. “Onde está lajotado, eles não vêm arrumar. O mato já ta tomando conta das ruas”, reclamou Livramento.

O calçamento “mal feito” também é alvo das críticas. Segundo eles, ele não tem escoamento e sem saída. “Já que os moradores pagaram a lajota, a prefeitura poderia dar essa manutenção. Já pediram para a gente lajotar aqui na rua, mas a gente não concorda porque o preço dos impostos é um absurdo”, reivindicou Ide.

Chuvas atrapalham, alega prefeito

O prefeito Edenilson assume que havia se comprometido em encontrar algum meio paleativo de arrumar as ruas sem calçamento no Balneário Esplanada até o final do ano. Contudo, Costa destaca que a licença de um fornecimento de areão foi cancelada após a venda de um terreno e que, mesmo que eles tenham conseguido outra licença em dezembro, a chuva atrapalhou. “Desde o Natal só chove. Mesmo que haja alguns dias de Sol, no final da tarde acaba chovendo. Precisamos de pelo menos três de Sol ininterrupto para conseguirmos trabalhar”, avaliou o prefeito.

Esplanada tem prioridade

Outra justificativa dada pelo chefe do Executivo diz respeito a falta de dinheiro. Em 2017, quando assumiu o governo, havia uma situação bem complicada nas finanças municipais. Ainda em janeiro a prefeitura declarou calamidade financeira. “Nós assumimos a gestão com muitas dívidas e não conseguimos utilizar os valores dos impostos para quase nada. Neste ano que vamos ajustar a situação”, garantiu.

Ruas às escuras

As reclamações vão além das vias. Os moradores também pedem por melhorias na iluminação pública. Segundo Antônio Pedro Luiz, que mora há um ano no Balneário, uma reunião com o prefeito, vice e representantes do governo ocorreu no final de 2017. As reivindicações pela iluminação já foram feitas naquele dia, quando eles receberam o contato da empresa terceirizada. No entanto, ninguém conseguiu contato. “A Rua Flor do Campo está às escuras. Não se vê ninguém para nos ajudar. Nem vereadores e nem prefeitura. Talvez a culpa seja nossa por não saber escolher os políticos certos”, lamentou Luiz.

De acordo com Deivet Pires, responsável pela iluminação pública na prefeitura de Jaguaruna, a demanda é muito grande, porém a empresa terceirizada busca atender a todos o mais rápido possível. “Nós acabamos de consertar 100 lâmpadas, já estragaram 120. Nossa fiação é velha e precisamos trocá-la por completo. Assumi esta responsabilidade há 40 dias e vamos resolver estes problemas que estavam esquecidos”, assegurou Pires.

Foto: Lucas Colombo/DN
Foto: Lucas Colombo/DN

Informação do jornalista Matheus Reis – Portal DN Sul